Relatos de viagem: Torres del Paine – Circuito Q – Dia 2

acampamento paine grande

2º DIA – ACAMP. PAINE GRANDE x acamp. italiano

 

Nada como uma boa noite de sono não é mesmo? O luar banhando a janela da barraca… O criquilar dos grilos…. A brisa suave…. ::otemo:: ::love::

Nãããão!!! ::bruuu:: Não tem grilo, não tem brisa e muito menos existe a possibilidade de deixar a janela ou porta da barraca sequer semi aberta! Isso aqui é a PATAGÔNIA senhores! É uma ventania danada, um frio que dói ::Cold:: … Sem contar que o único som que você escutará durante a noite ou é da chuva intermitente ou da sua tenda querendo levantar voo ::quilpish::

Ahhh… Mas você não vai riscar Torres del Paine dos seus planos por conta disso né?! :shock: Definitivamente NÃO PESSOAL! Muuuuito pelo contrário! Foi só para exemplificar o quanto ficamos assustados com a 1ª noite (coisas de marinheiro de 1ª viagem! :D ).

A verdade é que nós tínhamos uma noção do que enfrentaríamos mas eu exagerei aqui um pouquinho porque não imaginávamos que tudo por lá era tão INTENSO! Tomamos um shoCk é claro… Normal se levarmos em consideração que nunca tínhamos estado num lugar assim, onde tudo é classificado no superlativo! Ora chove muito, ora o céu abre… Vocês verão isso nas fotos… A única coisa constante por lá são os ventos patagônicos que vem de tudo quanto é direção! ::essa::

Ficam as 1ªs senhores!

1- Um bom equipamento de camping é essencial! E o que seria isso? P. essa trip eu diria bons abrigos para vento e chuva (digite aqui na comunidade mesmo “barracas ultraleves com menos de 2kg”, tem várias dicas bacanas de quem entende do assunto), um saco de dormir que suporte entre -5ºC e 0ºC (idem, é só pesquisar) e um isolante térmico adequado para todo tipo de terreno (idem novamente)!

2- Chegando nos refúgios/campings, caso você não vá alugar uma das barracas que já ficam montadas em pontos específicos, é prudente – antes de qualquer coisa – montar logo o seu equipamento (antes de comer, tirar as botas, roupas, banho, etc.)… Isso porque os melhores lugares – leia-se abrigados do vento direto (perto de arbustos por exemplo), longe das corredeiras e em áreas planas – são bem disputados. Acredito que ninguém chegue a sair no tapa por isso mas é como tentar montar um guarda-sol numa praia badalada em pleno verão. Detalhe, fomos em março, ou seja, imagine como essa disputa deve aumentar em dezembro ou janeiro ::ahhhh:: .

PS: Não se esqueça que você pode alugar todos esses equipamentos em Puerto Natales ou no próprio Parque (Se você deixar para alugar nos campings, quer seja por uma emergência ou por esquecimento, o valor chega a ser quase 2x mais caro ::putz:: … Por exemplo, o aluguel de um dia de uma tenda para 2 pessoas custava cerca de 7000clp, um saco de dormir ~ 5000clp e só o isolante térmico ~ 2000clp).

Mas vamos ao relato em si!

circuito q segundo dia

Desde o princípio decidimos que, salvo por alguma eventualidade, iríamos acordar cedo todos os dias para poder explorar a região com calma. Sabíamos que as jornadas diárias seriam longas e não queríamos fazê-las com pressa, sem apreciar os detalhes e encantos que a região nos oferecia. Aquela coisa de aproveitar o momento, de sentir as sensações, de nos encontrar consigo mesmos, de poder parar por um instante e contemplar a natureza…

amanhecer acampamento paine grande

Assim, estipulamos que a nossa “alvorada” seria as 6h e até as 7h deveríamos estar com os pés na estrada, ou melhor, na trilha! :P

mochilando por Torres del Paine

Paine Grande

O previsto para esse dia era o ataque ao Vale do Francês, um trecho que compõe o meio do circuito “W”. Isso significa dizer que se vai e volta até o mesmo ponto (2,5 horas em cada sentido) ou seja, é um trecho opcional (o que não quer dizer que deve ser desprezado na nossa opinião ok?! ::cool:: :D

Verdade seja dita, essa é uma das partes mais técnicas da caminhada e pode conter passagens muito escorregadias e perigosas, principalmente com chuva, lama, neve derretida ou gelo. Não foi o nosso caso já que o tempo estava estável mas ouvimos diversos comentários a respeito! Fica mais uma dica!

Pois bem, como teríamos nesse dia as primeiras subidas íngremes do trajeto reforçamos o café da manhã! Ainda estávamos nos acostumando com a troca da 1ª refeição do dia pelo almoço mas acreditem, essa foi uma das melhores decisões que tomamos. Como nos foi dito durante a palestra na chegada ao Parque, é expressamente proibido acender fogueiras fora dos locais pré-estabelecidos, o que significa que ou você se programa para estar num lugar permitido para cozinhar no meio do dia ou faz como nós, almoça pela manha e deixa os sanduíches, as frutas desidratadas, barras de proteína/cereal e tudo aquilo que não precisa ser cozido para ir beliscando ao longo do trajeto.

Inclusive, olha outra dica aí!:

3- Prepare porções individuais contendo tudo que você for comer por dia! Além de deixar sua mochila mais organizada você poupa a energia de ter que ficar prevendo se a comida vai acabar lááá pelo 6º ou 7º dia! 8). Fora que qualquer esforço a menos que se faça quando se está desgastado pela caminhada vale a pena!

Com o acampamento desmontado e bem alimentados seguimos pela trilha até o acampamento italiano (em média 2h de caminhada leve).

Maciço Paine torres del paine

Chegando no acampamento italiano

Chegando no Acampamento Italiano… Aquele pontinho vermelho na foto exemplifica onde lavávamos nossos talheres, copos, panelas & afins. É proibido o uso de sabão no Acampamento.

acampamento italiano

O acampamento Italiano é gratuito e por esse motivo decidimos que passaríamos a noite nele.

Depois de nos registrarmos junto ao Guarda Parque – obrigatório nos acampamentos administrados pelo CONAF – fomos montar o acampamento (ainda era cedo e conseguímos um ótimo local).

Deixamos as cargueiras no acampamento e subimos só com a mochila de ataque contendo a comida para o dia, câmera, protetor solar, água e as jaquetas corta-vento.

O vale do Francês tem um percurso de cerca de 5km e como eu falei leva aproximadamente 2,5h até o Mirador Britânico.

paisagem vista paine grande

Ao longo do caminho passamos por outro mirante de onde se tem uma vista impressionante de Paine Grande e de alguns Glaciares (Glaciares del Francês). Este último, inclusive, cumprimentou-nos com uma avalanche substancial, diante dos nossos olhos e que durou por cerca de um minuto (Caaaalma mãe! Relaxa que eu não estava em perigo não ok :P ?!)

Assim como um grupo que vinha nos acompanhando, ficamos sem palavras, de boca aberta simplesmente ouvindo e observando a mãe natureza exercer sua força e poder… Uma visão incrível que ficará na memória… A magia era palpável e, nos olhares silenciosos de inspiração que trocávamos sabíamos o quanto aquele momento era especial para todos, independente de credo, cor ou nacionalidade.

Paisagens do vale do frances torres del paine

Encontramos vários monumentos iguais a esse ao longo do percurso… Impossível não lembrar da infância e de quando ficávamos horas colocando pequenas pedras umas sobre as outras… Num lugar mágico como “Torres del Paine” descobrimos o quanto o significado daquela brincadeira é inspirador… Essas pedrinhas empilhadas falam de equilíbrio e impermanência… de paciência e recomeço… de persistência e submissão… de rir quando a pilha desaba pela enésima vez… falam de sintonia para perceber o peso de cada pedra e sua forma… Coisa de criança, é verdade… mas que teve o poder de nos aquietar naquele dia…. ‘créditos: somostodosum.ig.com.br’

Terminado o percurso de subida que ora era circundado por bosques e ora margeado por corredeiras formadas pelo derretimento dos Glaciares, chegamos ao mirante Britânico e digo a todos… O visual é simplesmente fantástico!

Paisagens do vale do frances torres del paine

Bem-vindo ao Vale do Francês!

Abastecidos pela beleza do local, fizemos um lanchinho e iniciamos a descida pelo mesmo caminho.

Chegamos no acampamento Italiano antes do anoitecer… Com tempo suficiente para descansarmos os pés, interagir com as pessoas que estavam por lá e relaxar…

RESUMO DO DIA:
  • 2º dia: Acamp. Paine Grande – Acamp. Italiano
  • Distância: 15 km
  • Total: 38,5 km
  • Tempo: 7,5h
  • Vídeo-relato do dia:

No próximo post, o primeiro stress causado por um erro no percurso!

Até lá!

2 comentários sobre “Relatos de viagem: Torres del Paine – Circuito Q – Dia 2

    1. @mochilandonaweb Autor da Postagem

      Ei Gabriela! Que bom que esteja gostando! Como eu havia dito num outro comentário, o único objetivo desse meu “atrevimento” como escritor aqui do blog é contribuir e incentivar as pessoas a conhecer esse paraíso chamado “Torres del Paine”!!

      Desculpe o atraso na resposta do seu comentário ok?! De coração… Tive uns probleminhas pessoais e profissionais que me obrigaram a deixar o blog um pouco de lado, espero que compreenda 🙁

      Não acontecerá novamente não rsrs

      Obrigado pelo elogio e pode contar sempre comigo tá?! Dúvidas, orientações, sugestões… Terei o maior prazer em ajudar!

      Abraços!

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